
série
só me lembro da tua ausência
SÓ ME LEMBRO DA TUA AUSÊNCIA
A partir do meu acervo de diapositivos (slides), que retratam minha família entre as décadas de 1960 e 1970, esta série desdobra-se em pinturas e reproduções de imagens que tensionam a presença da ausência em suas múltiplas camadas. As imagens, oriundas de cenas banais do cotidiano familiar, atravessam o tempo e reaparecem contaminadas por experiências do presente, fazendo emergir rastros, lacunas e zonas de indeterminação.
Entre o que permanece visível e aquilo que se perdeu, constitui-se uma narrativa suspensa, na qual o vazio deixa de ser mera falta para tornar-se força ativa de construção imagética. As evidências silenciam, recusam-se a afirmar uma verdade definitiva, abrindo fissuras para o imaginário, a fabulação e a dúvida.
Quem esteve na cena retratada? Quem — ou o que — ocupou esse espaço? O que aconteceu entre um instante e outro? O que escapa à imagem?
Lembrar a ausência talvez seja confrontar-se com aquilo que insiste em permanecer mesmo sem corpo. Uma aura residual, uma atmosfera fantasmática, vestígios em dissolução: modos pelos quais a memória se reorganiza não a partir do que recorda com nitidez, mas daquilo que lentamente se desfaz.


















